Espaço para publicação de fragmentos de pensamento, breves comentários e outras formas de materialização de leituras pertinentes à discussão do saber e das práticas jornalísticas.

O jornalismo policial nos anos 60

“Convém, aqui, explicar uma característica da imprensa policial da época. A maioria dos repórteres não se limitava ao registro dos fatos. Agiam como investigadores, competiam com delegado e policiais na busca de pistas capazes de levar à elucidação de crimes. – Não confundir com o jornalismo investigativo de hoje.

No livro Diário de Notícias, o romance de um jornal, registrei um revelador depoimento do jornalista Ercy Pereira Torma, no tempo em que atuava no setor de polícia.

Dentro de um velho jipe, repórter e fotógrafo circulavam pelas ruas em busca de informações. No carro havia um rádio rastreador, sintonizado na mesma freqüência da Polícia. Inúmeras vezes, a partir de uma informação ouvida, os jornalistas chegavam ao local do crime ou do acidente antes mesmo dos policiais.

Enquanto o fotógrafo registrava flagrantes, a primeira providência do repórter era buscar uma foto da vítima (“o boneco do presunto”) e obter informações de familiares, vizinhos, amigos. Valia tudo. Revirar o corpo, entrar na casa pela janela, qualquer coisa.”

Autor: Celito De Grandi.

Onde: Caso Kliemann – A Historia De Uma Tragedia.

Editora: Literalis, Edunisc, pag. 96 a 97.

Edição: 2010 (1ª edição).

+ Celito De Grande na Unisinos

***

Reflexões sobre assinatura de matéria jornalística

“Não acho que todas as matérias do jornal devam ser assinadas. Não é porque um repórter fez a matéria que deve assiná-la. Essa idéia de todo mundo assinar corresponde aos interesses de política interna dos grupos dentro das redações. Se o editor quer prestigiar um repórter porque é amigo dele ou porque isso é importante no tabuleiro dos interesses da redação, ele assina sua matéria e não a de outro. Mas a matéria é do jornal. É verdade que a assinatura pode ser usada como estímulo. Uma direção de redação lúcida fará uma política de compensação, assinando uma ou outra matéria. A rigor, uma matéria deve ser assinada quando as suas qualidades são excepcionais ou quando contém um certo tipo de reflexão subjetivo”.

Autor: Cláudio Abramo.

Onde: A regra do jogo, p. 170.

Editora: Companhia das Letras.

Edição: 1988 (1ª edição).

***

“The proliferation of bylines characterized the news as an imperfect, all too human account of reality, opening the way towards journalistic stardom, altering power relations within the news industry and shifting news organizations from a position behind the news to one behind the people who gather and compose it. Focusing on The New York Times as the chief case study and The Times of London as a supplementary one, findings show that the bylining process extended throughout the 20th century at a far slower pace than indicated in previous research. Bylining was a four-stage process: 1) initial avoidance of bylining, thereby fostering an anonymous, authoritative voice; 2) bylines promoting organizational goals only; 3) bylines accorded to a select few staff writers, leading to inconsistency in attribution policy; and 4) papers lose control over selective crediting due to journalists’ pressure for public acclaim. Using a multidisciplinary approach combining legal theory with the sociology and history of journalism, the article concludes that news reporters are constrained authors whose limitations are set chiefly by organizational, legal and commercial forces. These limitations not only delayed and slowed down their attribution but also continue to characterize their authorship to this day”.

Autor: Zvi Reich.

Onde: Constrained authors: Bylines and authorship in news reporting

Periódico: Journalism.

Edição: 2010, 11, p. 707-725

***

“Acima de tudo, deveria ser eliminado este escudo de toda patifaria literária, o anonimato. Nas revistas literárias, ele foi introduzido com o pretexto de proteger os honrados críticos, os vigias do público, contra o rancor dos autores e de seus protetores. Só que, a cada vez que se apresentar um caso desse tipo, haverá centenas de outros em que o anonimato serve apenas para tirar toda a responsabilidade daquele que não pode defender o que afirma, ou até mesmo para ocultar a vergonha de uma pessoa que é suficientemente corrupta e indigna a ponto de recomendar ao público, em troca de uma gorgeta do editor, um livro ruim.”

Autor: Schopenhauer (1788-1869).

Onde: A arte de escrever, p. 72-73.

Editora: L&PM.

Edição: outono de 2011.

***

Entrevista com Gumersindo Lafuente

Autor: Graciela Natanshon e Suzana Barbosa

Onde: “Lo sustancial no es el periódico, sino el periodismo”

Periódico: Contemporânea

Edição: 2011, 9,1, p. 130-137

http://www.portalseer.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/issue/current

***

Teoria da Estruturação, para pensar sobre entrevista e práticas

“Os agentes ou atores humanos – uso indistintamente um e outro termo – têm, como aspecto inerente do que fazem, a capacidade para entender o que fazem enquanto o fazem. As capacidades reflexivas do ator humano estão caracteristicamente envolvidas, de um modo contínuo, no fluxo da conduta cotidiana, nos contextos da atividade social.”

Autor: Anthony Giddens.

Onde: A constituição da sociedade, p. XXV.

Editora: Martins Fontes.

Edição: São Paulo, 2009, 3ª ed.

***

Jornalismo e memória

“Em 1975, oito meses após chegar à Argentina, reatei definitivamente meus vínculos com o Brasil: passei a escrever para O Estado de São Paulo, numa relação profissional que escandalizou o SNI, mas que foi o mais gratificante que conheci em termos humanos e jornalísticos em meus longos anos na imprensa, no Brasil e no exterior. Para não criar problemas, assinava com o pseudônimo Júlio Delgado, em homenagem a Júlio de Mesquita Neto – que tivera a coragem de levar para o seu jornal um “banido”, trocado pelo embaixador americano -, e também porque redigi minha primeira nota, como correspondente do Estadão, em plena crise de uma doença que me deixara muito magro, ‘delgado'”.

Autor: Flávio Tavares.

Onde: Memórias do esquecimento, p. 248.

Editora: Editora Globo.

Edição: São Paulo, 1999, 4ª ed.

***

0 Responses to “Leituras”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s




Realizações


A entrevista - nas práticas e nos estudos em jornalismo
  • 4º Seminário aberto de Jornalismo
  • Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

    Junte-se a 5 outros seguidores

    Universidade do Vale do Rio dos Sinos
    Av. Unisinos, 950 - Bairro Cristo Rei
    São Leopoldo - RS - Brasil
    CEP 93.022-000
    Linha direta Unisinos:
    (51) 3591 1122
    Fax: (51) 3590 8305

    Bookmark and Share

    %d bloggers like this: